Numa pequena rua de chao, onde meninos vizinhos jogavam furingo todas as tardes, um morador teve a vidraca quebrada. Rasgou a bola, brigou com seu filho que tambem jogava, foi ate a casa do autor da facanha e nervoso, atirou a bola murcha no jardim. Disse e ouviu desaforos. Nao satisfeito, foi a justica. Hoje dois pais nao se falam, os filhos continuam jogando, distantes dos seus olhos e proximos a influencias desconhecidas.
Anos antes fato semelhante teve desfecho diferente. Chute forte sem rumo quebrou a vidraca da casa de um velho pescador. Ele foi ate a rua e negociou: Vou consertar e voces me pagam limpando o quintal e pintando meu muro. Vive em paz, embora preocupado com o neto que agora brinca distante.
Frequentimente civilizados perdem a elegancia: no seculo passado, procurando o assassino no famoso Crime da Mala a policia parisiense expos a mala na qual o cadaver foi encontrado. Essa exposicao de um mes no necroterio, superou o publico de um ano no Museu do Louvre.
Antropologos afirmam que a nossa especie dizimou a Neandertal porque eramos mais violentos do que nossos concorrentes de ate 30 mil anos atras. Os indios que viviam guerreando, canibalizando e buscando a morte bonita, antes de conhecerem a civilicazao, parecem confirmar a tese de qe ela reprime o instinto agressivo do bicho homem. Entretanto, algumas instituicoes da civilizacao descuindam a convivencia, promovendo o desprezo pela vida e a indiferenca pelo proximo.
Historia, politica, economia, esporte e religiao exibem atitudes pouco civilizadas: A historia valoriza a guerra em detrimento da paz. Politicas economicas tem mantido privilegios e ampliado diferencas. Pagamos e ate concedemos medalhas olimpicas a homens e mulheres que lutam em ringues no meio de plateias, muitas vezes com resultados fatais.
Religioes cristas cultuam santos guerreiros, virgens e deuses magicos, distantes do ideal de paz, fraternidade e amor que Cristo pregou. Entre paises vizinhos, relacoes se estabelecem prontamente se a motivacao for a guerra. Se Argentinos agredissem o Brasil, a eficiente midia nacional instantaneamente colocaria a Nacao em pe de guerra. Voluntarios se alistariam, ouro seria recolhido em campanhas. Ocorrendo o conflito venderiamos mais jornais mas perderiamos vidas, bens e muito dinheiro. Agora que o vizinho esta financeiramente arruinado, o Brasil advoga a seu favor nas instituicoes internacionais. Ta dificil, mas mais facil que na guerra. E hora de uma conversa de fundo de quintal. Se imaginarmos o que perderiamos lutando e o custo da seguranca na fronteira, nos disporiamos a cooperar mais com nosso vizinho pacifico, bom de futebol.
Aceitamos com mais naturalidade violencia do que afeto; o insolito ou inusitado do que amor e solidariedade.

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