“Nao sou a favor nem do judeu, nem do muculmano, porque acho que so existe uma raca: a raca humana.” ( Georges Bourdoukan )
Abra o jornal, folheie uma revista, ligue a TV. Observe como poucos sao as noticias veiculadas que podemos apreciar. Os informativos, todos eles, tem como materia prima a desgraca. Ora sao as guerras, ora os conflitos politicos, ora as mazelas economicas. A fome, o frio, o fogo na mata adentro – os quais nao deixam de ser outras formas de guerra.
Tiroteio entre faccoes que disputam a hegemonia em regioes desprovidas de lei. A droga que grassa e viceja, invadindo escolas, bares e lares, atingindo nao apenas adultos e adolescentes, mas ate mesmo criancas. Uma arma de fogo que dispara acidentalmente, um garoto que chacina sua propria familia ou um grupo de colegas da escola. Filhos que matam pais, pais que violentam filhas, filhas que se prostituem. Governos que desdenham da miseria e que lutam apenas pelo poder como fim absoluto de sua vaidade e ganancia.
Mesmo onde se poderia imaginar prazer, encontramos o negativismo. O caderno de esportes relata a contusao de um atleta, exalta a suspensao de outro flagrado num exame antidoping, e anuncia em polvorosa a demissao sumaria de um tecnico. No caderno de cultura, criticas ganham espaco do que elogios.
Nao sei de onde vem este apego, este quase encantamento do ser humano para com o que e menor e nao o eleva. Talvez seja seja uma especie de indulgencia as nossas proprias fraquezas. E como se, para nos sentirmos melhor, fosse necessario que os outros se mostrassem piores do que nos. Parece que a gente nao busca se melhorar, mas sim diminuir os outros...
Vivemos tempos de amargura, tempos de desamor, tempos de intolerancia. Compomos as nossas teias, os nossos circulos fechados de relacionamentos e de amizades. E carregamos bandeiras diferentes. Nao sao mais apenas bandeiras representando nacoes, pois a luta transcende o plano territorial e a supremacia. Carregamos bandeiras de religioes sem perceber que independentemente de qual seja a crenca o fundamental e a fe que se pratica. Religioes afastam as pessoas, enquanto a espiritualidade as aproxima. Carregamos bandeiras diferentes nos estadios de futebol, e quando poderiamos apenas e tao somente comemorar a magia do espetaculo, fazemos de estandartes, armas que ferem; fazemos da provocacao animada e prazerosa, concertos e odes para a ira coletiva.
Carregamos bandeiras pessoais, as bandeiras segregacionistas. Ora sao os negros, ora os indios, ora os homossexuais, cada qual colocando-se numa posicao inferior, chamando a si proprios de minorias, buscando atraves do julgamento diferenciado o tratamento equanime. Querem a igualdade, mas a perseguem a partir da diferenca. E muitas vezes acabam colhendo apenas a indiferenca.
A palavra intolerancia diz muita coisa. Ela remete a incapacidade de tolerar, ou seja, de aceitar, de permitir, de escutar, de respeitar, mesmo discordando. De tanto ostentar bandeiras, negligenciamos nossa propria liberdade, colocando-a em segundo plano. Esquecendo o prazer de contemplar e de amar a vida.
Mastros no chao, ao cruzar para o outro lado de um rio, ao atravessar uma ponte ou mesmo uma linha ou um marco imaginario, encontraremos alguem igual a nos, com as mesmas duvidas, as mesmas incertezas e os mesmos desejos de respostas que povoam nossas mentes e nossos coracoes sem bandeiras.

1 comentários:
Gentileza acrescentar ao artigo os créditos ao seu autor, Tom Coelho.
http://tomcoelho.com/index.aspx/s/Artigos_Exibir/32/Bandeiras_da_intolerancia
Agradecemos.
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